quinta-feira, 31 de março de 2016

Resposta a convite da OAB

Resposta que dei a convite recebido da OAB CE para comemoração dos seus 83 anos, na Câmara Municipal de Fortaleza.

"Com o presente golpe em que a OAB participa como coadjuvante favorável, não se tem o que comemorar, mas lastimar. Será a segunda vez em que a OAB posa ao lado de golpistas. Da primeira vez, em 1964, logo arrependeu-se, mas manchou sua história. Quando se arrependerá desta feita?"

George
#NãoVaiTerGolpe

sábado, 26 de março de 2016

As Flô de Puxinanã - Zé da Luz. Declama Ariano Suassuna.

Três muié ou três irmã,

três cachôrra da mulesta,

eu vi num dia de festa,

no lugar Puxinanã.


A mais véia, a mais ribusta

era mermo uma tentação!

mimosa flô do sertão

que o povo chamava Ogusta.


A segunda, a Guléimina,

tinha uns ói qui ô! mardição!

Matava quarqué critão

os oiá déssa minina.


Os ói dela paricia

duas istrêla tremendo,

se apagando e se acendendo

em noite de ventania.


A tercêra, era Maroca.

Cum um cóipo muito má feito.

Mas porém, tinha nos peito

dois cuscús de mandioca.


Dois cuscús, qui, prú capricho,

quando ela passou pru eu,

minhas venta se acendeu

cum o chêro vindo dos bicho.


Eu inté, me atrapaiava,

sem sabê das três irmã

qui ei vi im Puxinanã,

qual era a qui mi agradava.


Inscuiendo a minha cruz

prá sair desse imbaraço,

desejei, morrê nos braços,

da dona dos dois cuscús!


Zé da Luz.

(Paródia de "As Flô de Jerimataia" de Napoleão de Menezes)

Ariano Suassuna declama:

https://youtu.be/8xhrbI5kGp8

sexta-feira, 25 de março de 2016

A Flor de Jeremataia - Napoleão de Menezes

Três muié, três cão de saia
Três caboca do outro mundo
tem na casa do Raimundo
no lugá Jerimataia!
A mais véia delas três,
a mais alta, a mais franzina
mimosa flor da campina
qui o povo chama de Inez.

A segunda é a Zezeta!
Tem uns ói qui santo Deus!
Un oiá daqueles seus
bota no inferno um poeta!...
uns ói qui parece ser
dois ladrão numa janela
dois garrote na cancela
da cacimba de beber!

A terceira é Mariana,
tem um corpinho mais cheio!
E a móde qui traz no seio
dois mangará de banana!
Dois mangará, chega a gente
sonha ca fruta qui vem...
E o cheiro qui a fruta tem
quando ela fala se sente!...

E a gente até se atrapaia
vendo essas fulô perdida
naquela casa inscundida
no pé de Jerimataia!
Mas se mandasse eu tirá
entre elas três a mais bela
eu queria mesmo aquela
que é a dona dos mangará...

Fonte:
Raimundo Araújo. Cantador, Verso e Viola. Ed. Pongetti. 1974. Rio de Janeiro -RJ. p.113.




quinta-feira, 24 de março de 2016

Iron Maiden

Sou desligado mesmo. Esperando pegar um avião, tou no saguão do Pinto Martins. Gente de preto, paca. Égua, vai ter impeachment. Começo a observar mocinha e rapaz falando espanhol argentino. Égua o Macri fez complot com o Serra e mandou os Hermanos pressionarem a gente em resposta à denúncia internacional feita hoje pela Dilma. Me aproximo de um deles pra ouvir a conversa e delatá-los no twitter, quem sabe o Papá Chiquinho, ouve e dá um jeito neles. Espanhol falado a gente entende, mas Argentino con aqueles gritinhos agudos, é foda, Zé! Ei, tem um desenho nas camisas todas deles. Deve ser Fuera Dilma. Puta madre, caí nessa? Iron Maiden!

terça-feira, 22 de março de 2016

Kyrie Eleison

Gilmar almoça com tucanos
E não se declara suspeito.
Fachin diz ser amigo de advogado
E se declara suspeito.
Rosa teve Moro como assessor
E não se declara suspeita.
Kyrie Eleison.

domingo, 20 de março de 2016

Seu dotô como é que pode? - Patativa do Assaré (Itaytera, Crato)

Antes de Lula ser Presidente, o Nordeste era assim.

"Seu Dotô, nosso Nordeste,
é mesmo a terra da fome,
onde o matuto não veste,
onde o matuto não come.
A agricultura é sentença
e sem haver assistença,
o jeito é se escangaiá,
Parece mesmo um pagode!
Seu dotô, como é que pode
este Brasil miorá?"

Fonte:
Novo Dicionário de Termos e Expressões Populares. Tomé Cabral. Ed. UFC. Fortaleza Ceará, 1982, p. 353.

sábado, 19 de março de 2016

O que eu fiz mesmo na porra desse mundo?

Mote:
Confira o Tweet de @requiaopmdb:
https://twitter.com/requiaopmdb/status/711162608594886656?s=08

Assim como sacralizar um indivíduo, torná-lo muito maior do que ele é, porque fez um concurso, porque colou grau, fez um doutorado, foi condecorado, foi isso, foi aquilo. No final, quando a cortina tiver prestes a se fechar e o indivíduo não tiver escapatória, nem fuga de si mesmo, restará a pergunta direta, incisiva, fatal, dolorosa, terrível, incisiva: o que eu sou e o que eu fiz mesmo na porra desse mundo?

George Alberto de Aguiar Coelho

sexta-feira, 18 de março de 2016

A Revoada dos Patinhos Amarelos

Um fato interessante e histórico acontecido em São Paulo em 1934, associa-se, de certa forma, a fatos dos dias de hoje. Vamos à história.

Em 1934, a esquerda se reuniria na Praça da Sé para sustar tentativa de golpe dos integralistas, linha fascista de Plínio Sampaio. Os integralistas queriam obstar a reunião e o cacete comeu.

Tiros, mortes dos dois lados e a desmoralização dos integralistas, pois saíram corridos da Praça, desesperados jogando as camisas verdes ao léu para não serem identificados. Esse episódio ganhou o nome de Revoada das Galinhas Verdes.

Voltando para a nossa era. Por pouco não houve algo parecido hoje, dia 18/03/2016, na Avenida Paulista. Fascistas acamparam na Paulista pasta impedir a manifestação programada pela esquerda.

A pedido da FIEC, dos próprios acampados ou por temor de uma tragédia, sei lá porque, saíram de lá pela ação, simulada ou não, da polícia paulista.

Se não fora a fuga providencial, poderíamos ter assistido hoje a Revoada dos Patinhos Amarelos.

George

terça-feira, 15 de março de 2016

domingo, 13 de março de 2016

O sabiá no sertão

Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem obrigação
De só cantar quando chove

Poeta Bio Gomes

O que vivi - Professor Paulo Araújo

Não vou à passeata do dia 13 pelo motivo que exponho abaixo.

Fui aprovado em concurso público para professor efetivo da “antiga” Escola Técnica Federal do Ceará, em 1994. Em 1996, ingressei para lecionar na tão “sonhada escola”, em que já tinha sido aluno e filho de professores. Iniciei minha atividade docente na metade do governo FHC. Na época, o orçamento anual da Escola já tinha sido reduzido à metade do montante orçamentário anual do início do governo PSDB. Presenciei uma gestão escolar preocupada com o baixo orçamento, com dificuldades em conseguir pagar contas básicas, com água, energia  e telefone. Vivenciei uma escola agonizante, sem investimentos, com dois de seus três “campi” (Cedro e Juazeiro) de “portas fechadas” por falta de recursos. Vi minha “Escola” perdendo sua autonomia, tendo que se sujeitar a reformas na grade curricular para ganhar algumas migalhas orçamentárias. Para conseguirmos construir um bloco de salas de aula, tivemos que fazer uma parceria com a empresa LG, pois o governo FHC sempre nos negava recursos.  Lembro-me que para equipar nossos laboratórios, realizamos um convênio com a CHESF para oferecer capacitação para seus funcionários. Contratar professores era uma missão “hercúlea”, pois os concursos públicos eram barrados por medidas provisórias. Nossa instituição passava por um plano de sucateamento que jamais poderia imaginar, capitaneado por um presidente sociólogo, doutor, e professor universitário aposentado de uma das mais renomadas universidades públicas, a USP.  Foi difícil de entender e aceitar tudo aquilo.

Professor Paulo Araújo

Grito de guerra da minifestação de 13/8/2016: Somos Todos Cunha!

Quem quiser acompanhar a turma do "ilibado" Cunha, que se junte a ele na minifestação de 13/08/2016 e grite em grito altissonante: Somos Todos Cunhas!

Ė micro ou é macro?

Se retornaremos ao governo das mudanças, não sei, mas o que tem de velho se passando por novo não tá no gibi. Vivi a reengenharia dos tempos do príncipe cansado e me lembro como era. Um taylorismo tupiniquim de estudo de tempos e movimentos.

Onde trabalhava, uma consultoria contratada colocou várias mocinhas com uma prancheta, folha quadriculada e caneta BIC ávida de anotações. As meninas não tinham hora, nem se anunciavam para observar o processo que cada um de nós fazia. Chegavam lépidas e, sobre o processo, perguntavam de choto ao freguês: é micro ou é macro?

O cidadão trabalhando ou não, tomava um susto, e tinha poucos segundos para pensar no trabalho que fazia e pra escolher entre as duas opções dadas: micro ou macro. E foram meses essas pesquisas, pagas por quantias macros, fazendo parecer a nós investigados que os resultados seriam micros. Mas não queríamos, fazer a delação da pesquisa, pois poderíamos amanhã ser premiados por um PDV*.

A estratégia então, para não ser inconsistente e se safar das meninas, foi a gente memorizar, para cada tarefa, a resposta que daríamos a angustiante inquisição: é micro ou é macro? E a medida que respondíamos mais pavlovianamente o inquisitório, mais de surpresas e rápidas as meninas nos abordavam: é micro ou é macro?

Um belo dia, um colega entrou no banheiro, que a essas alturas desconfiávamos estar também monitorado o tempo de realização das tarefas por lá. E pra não dar bandeira da demora, saiu rápido daquele recinto adentrando ao ambiente da copa ao lado, ainda com a mão e o olhar no ziper da braguilha aberta. Mas não deu tempo, pois eis que, de repente, chega uma das inquisidoras e sapeca a fatal pergunta: é micro ou é  macro?

* PDV - Plano de Demissão Voluntária


George Alberto de Aguiar Coelho

sexta-feira, 11 de março de 2016

Não há cadeia suficiente para Lula - José Perci de Sousa

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado.
Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem.
Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.

Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.

Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.

Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!

quarta-feira, 9 de março de 2016

A entrega do Brasil

Uma análise profunda de Nassif. Provavelmente, só irá se confirmar por completo e de forma aberta quando documentos sigilosos americanos forem desclassificados como tal, ou se um novo Snowden surgir.

"Em breve, a Lava Jato deixará de ser estudada meramente como uma imensa operação anticorrupção para se transformar em um case sobre as estratégias geopolíticas norte-americanas na era das redes sociais, da globalização e da alta tecnologia." Nassif

Em verdade, nada é casual, o destino dos povos tem a ver com a sua admiração, reconhecimento e imitação aos seus dominadores. Caboclos querendo ser ingleses, diria Cazuza; ou complexo de vira- latas, como chibateava Nelson Rodrigues.

A elite brasileira com seu comportamento miamístico não se diferencia de cubanos que ali habitam (Miami) e que sempre recordam com saudade os tempos do cabaret americano de Batista na ilha. A despeito de me considerar um educador, não vejo como mudar o rumo das coisas, nadar contra a tsunami que nos afoga. Infelizmente, cheguei a conclusão: o povo brasileiro não merece o Brasil.

George Alberto

Mote:
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-tudo-comecou-em-junho-de-2013

segunda-feira, 7 de março de 2016

Pauperófobo

O Sr. Jung Mo Sung pediu ajuda no Twitter pra encontrar expressão para uma sociopatia muita em voga nos coevos dias. Trata-se da aversão ao pobre. Apesar de já ter lido, em algum texto, pobrefobia, achei que não soava chique, então sugeri, pra doença, pauperofobia, do prefixo latino pauperos(pobre) e do sufixo grego phobos(fobia) e, pro doente, pauperófobo.

A propósito, Max Weber, no livro A Ética Protestante, explicava a pobreza ibérica relacionando-a à fé católica. Os aficionados de Lutero eram mais: Deus colocou os escolhidos na terra pra serem exemplos de seu poder, portanto fossem ricos. Já pros católicos seria mais fácil um camelo entrar numa agulha, portão de muralha, do que rico passar pela vigília do porteiro dos céus.

Pois bem, que o seja todo razão o Sr. Weber, mas, cá pra nós, pra ser rico e ter de conviver com doutrina de Malafaia, Waldomiro, Edir Macedo, Cunha e o escambau universal, parece ser menos chato ser pobre. Isso pros que não sofrem de pauperofobia.

Mesmo porque, do ponto de vista ecológico, a terra não aguenta muita gente rica, não. Só os gringos consumem, por baixo, uns 20% dos recursos da terra. A gente não escapa nem quando eles estão dormindo, porque bufa de metano de fastfood McDonald não é brincadeira. E os chineses, embora comendo arroz como prato principal, consomem mais 24% dos finitos recursos.

P.S.
Sim, a palavra que nomeia a doença existe. De fato, veja este texto do jornal O Povo de autoria do Professor Pedro Jorge Chaves Mourão
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2016/01/11/noticiasjornalopiniao,3559687/quem-tem-medo-de-pobre.shtml