terça-feira, 29 de outubro de 2013

Carlos Burle, o pernambucano que montou a maior onda do mundo

Olha aí o recifense Carlos Burle http://carlosburle.com/  surfando a maior onda do mundo. É por essas e por outras que os pernambucanos dizem ser o Recife, cidade pequena porém decente, o lugar onde se ajuntam o Rio Capibaribe com o Rio Beberibe pra formar o Oceano Atlântico.

E muita gente pensa que Nelson Rodrigues era carioca, assim como os portugueses do vídeo abaixo pensam que o Carlos Burle nasceu no Rio de Janeiro. Nada, macho, os dois são de Recife.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,onda-gigante-que-pode-ter-superado-a-marca-de-100-pes-deixa-burle-nas-nuvens,1091534,0.htm

E sabem como é o treinamento pra surfista em Recife? É feito maratonista correndo atrás do "coelho", que impõe o ritmo pesado à galera. Um pouco diferente, em Boa Viagem. Lá, no lugar do "coelho", que corre embalado na frente dos maratonistas, tem tubarão infeliz perseguindo os surfistas. Resultado: os recordes do fantástico brasileiro.



George

Reportagem de The Telegraph:
Brazilian Carlos Burle surfed what is thought to be the biggest wave ever off the coast Portugal yesterday.

Measuring nearly 100ft, the giant wave was created by swells following the St Jude's Day storm that affected much of northern Europe on Monday.

Story: http://fw.to/4cGOtZN
Full gallery: http://fw.to/QkAYVvL — Surfer rides monster wave in Portugal (5 photos)

domingo, 27 de outubro de 2013

Morro Pão de Açúcar do Ceará já foi vulcão


Exibir mapa ampliado

Sempre me impressiona, quando passo por lá, a simetria cônica do morro Pão de Açúcar, visto pela BR 020, estrada de Fortaleza pra Canindé, lado esquerdo. 

Segundo o link abaixo, enviado pra mim pelo meu amigo Zé Ivo, esse morro no Ceará já foi vulcão.


Se é assim, por que não explorar turisticamente o lugar. E a exploração turística do vulcão poderia se dar conjuntamente com o fato de ser passagem da romaria pra São Francisco do Canindé.

Coordenadas no Googlemaps -3.883333, -38.816667



Dona Dilma e Dona Merkel Versus o Presidente Especuloso

E o comentário de uma leitora, Paulaplus, advertindo El Pais, me parece certeiro:

"Cuando la señora Merkel no estaba todavía al tanto de que era espiada, Dilma Vana Rousseff ya había dicho y propuesto en la ONU la regulación de la privacidad en Internet y del espionaje en general. Parece que usted carece de habilidad lectora: Es Alemania y una veintena de países QUE SE SUMAN A LA PROPUESTA BRASILEÑA, no al revés."



sábado, 26 de outubro de 2013

Ilusões da vida - Francisco Otaviano de Almeida Rosa

Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.

Francisco Otaviano de Almeida Rosa (RJ26.06.1825 — RJ, 28.06.1889)

Faz conta dum piqui

Em cordéis, literatura popular do Nordeste do Brasil, é comum uma poesia ser conhecida com palavras ligeiramente diferentes e a sua autoria ser atribuída a lugares e pessoas distintas.

Por exemplo, li não sei onde, que um ceguinho no Crato-CE estava numa feira pedindo esmolas e passou um desses vendedores de piquis catados na encostada Serra do Araripe. O ceguinho pediu então ao distinto um piqui e o catador, morador da redondeza, negou. O ceguinho, puto com o cara, lascou na viola.

Terra boa é o Cariri
Tem cachaça e cajuí
Tem muita moça bonita
E cabra bom no fuzi
Mas ao redor de dez légua
Tem cada fi-duma-égua
Que faz conta dum piqui. 


A mesma poesia, li num livro de Rodrigues de Carvalho (1), fora um improviso de um feirante em certa vila sertaneja, no alto sertão da Paraíba.

Em cima daquela serra
Tem caju e cajuí
Tem muita moça bonita 
E cabra bom no fuzi  
Mas em redó de três légua
Tem cada fi de uma égua
Que nega até um piqui. 

George Alberto

(1) Rodrigues de Carvalho (Alagoinha-Pb, 18.12.1867 — Recife, 20.01.1935). Cancioneiro do Norte. 3ª. Ed.. Comemorativa do nascimento do autor. RJ. 1967. P. 1093 (2) Fuzi - rifle

Falta de uma mão de peia

Destruir patrimônio alheio não me parece coisa de gente civilizada. Em guerras, por exemplo, os americanos, que se dizem civilizados, são mestres nisso, soltam bombas, destroem vidas e a infra-estrutura de países, e depois vêm com as hipócritas ajudas às vítimas e aos países despedaçados. Ajudas que de ajuda não têm nada, são só empréstimos que o país arrasado terá de pagar a juros extorsivos, muita corrupção da nova casta intrujona aliada, imposta no poder, e perda da soberania do desgraçado país, tudo alcançado pela destruição feita pela poderosíssima indústria de guerra.

Já esses black-blocs do cacete me parecem uma geração de alienados que, teoricamente, lutam contra a sociedade capitalista, mas que, no final das contas, aplicam os mesmos métodos de destruição em escala muitíssimo menor, mas proporcional ao que provavelmente fariam se estivessem no poder. Falta de uma mão de peia.  

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Meu zóvo

Tramitou, em regime de urgência, projeto de grande interesse social: o dia dos ovos. Ao ser indagado de um colega legislador, convidado a aderir ao projeto, como teria sido gerada tão importante ideia, o outro respondeu. Por ser um dia muito importante e, por que não dizer também, um dia ovulante de merecer de vera até feriança, ora se merecia, Excelência. Afinal, simboliza a vida e a garantia de continuação plena de nossa valorosa e profícua espécie parlamentar... Respirou, coçou o saco e concluiu o parlamentar. Não poderia ser outra a inspiração: meu zóvo. E o projeto em plenário oval foi plenamente ovacionado.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Banho de cacimba pro Cardeal, Papa Chico!

Eita Cardeal pra gostar de luxo e de tomar banho caro. Gastou US$ 15.000 Euros só numa banheira. Uma sugestão pro Papa Chiquinho resolver o caso. É só Sua Santidade botar esse Cardeal lá pras bandas da diocese de Irauçuba, no meu Ceará, onde as nuvens de chuva teimam em dobrar a esquina e o vento sopra secando a terra de vez, pra ele ver o que é bom pra tosse. E a diocese de lá dê pra ele uma cuia pro distinto tomar banho de água tirado de cacimba. O homem vai acabar gostando, que coisa boa é banho de água de cacimba.

O presidente voyeur


Dona Dilma soltou a língua indignada diretamente na ONU, quando foi espionada pelo Obama. Diante do nosso secular complexo de vira-lata, muito brasileiro não gostou. Deixe disso, Mulher, que o Obama é de país amigo, não se faz isso com americano, eles não vão gostar, que é isso mesmo que país rico tem de fazer com país pobre como a gente e não sei quê, e não sei quê mais. Antontem, foi a vez do presidente do México reclamar que foi espionado, pedir explicações, dizer uns desaforos ao embaixador do Tio Sam. Também a França foi espionada de cabo a rabo e o, antes todo heterodoxo ante-Sarkozy, François Hollande, fez de conta que não era com ele. Macho frouxo! Agora é a vez da Dona Merkel, dar um pito nos ouvidos dos homens da escuta do Obama. E o Obama virou o presidente Nobel da Paz mais voyeur e fofoqueiro que o mundo já viu.

sábado, 19 de outubro de 2013

Entreguismo histórico

Chico Anísio, nas priscas eras de 1970, no auge da ditadura, dizia na TV o que significava a sigla Brasil - Bravos Rapazes Americanos Silenciosamente Irão Levando. Naquele tempo, as riquezas do colosso adormecido eram carreadas quase que exclusivamente pras multinacionais dos States. Hoje, num regime  democrático, a participação na comilança dos minérios brasileiros inclui novos comensais: a China, por exemplo. Falta de patriotismo é o que não nos falta.

Mote:
http://www.carosamigos.com.br/index/index.php/component/content/article/229-revista/edicao-199/3614-entreguismo-historico

Mais entreguismo de jazidas de petróleo, ou não?

Sou contra esse negócio de privatizar jazidas de minérios, de petróleo, por uma merreca. Entregar matéria prima do país quase de graça, coisa que em indústria nenhuma existe, é inconcebível para uma nação que pretende ser soberana. Isso acontecia, e acontece, no regime de concessões de exploração de petróleo até então vigente, em que o petróleo fica com o vencedor do leilão e ele remunera o país concedente com a tal merreca. Neste sistema, vence quem propõe pagar o maior bônus de assinatura ou mais royalties ao Estado.

Já no regime de partilha, a ser usado na exploração do pré-sal, o petróleo continua nas mãos do país, o qual remunera a empresa exploradora. No campo de Libra, por exemplo, a União ficará com um mínimo de 41,65% do lucro-óleo, petróleo produzido descontados os custos de produção. Haverá no leilão, um bônus de assinatura fixo de R$ 15 bilhões e a petroleira vencedora será a que pagar fatia maior desse lucro-óleo para a União. A operadora do sistema será a Petrobrás que terá, reservado pra si, 30% das jazidas do pré-sal; os outros 70% irão a leilão. Além disso, a empresa poderá participar em consórcios competindo com os 70 % reservados a estes. Um bom negócio pro Brasil.

Se é assim, que venham mais regimes de partilhas em explorações de petróleo e minério.

George

Fonte 1:
"O governo federal não está privatizando o petróleo do pré-sal", disse, em coletiva deste sábado, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão sobre leilão do campo de Libra que acontece na próxima segunda, 21.
Leia mais em: http://oesta.do/1c5iU16


Fonte 2:

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia do Professor, manifestações nas ruas e Paulo Freire

Hoje, 15/10/2013, Dia do Professor, posto uma reflexão de Paulo Freire, escrita em 1968. Diante das manifestações que retornaram as ruas do Brasil, desde junho deste ano, e ainda nos últimos dias sacodem as estruturas arcaicas da nação brasileira, inclusive hoje nas ruas do Rio de Janeiro, com a participação ativa dos professores, o texto do educador Paulo Freire é tão atual quanto era em 1968.


“Os movimentos de rebelião, sobretudo de jovens, no mundo atual, que necessariamente revelam peculiaridades dos espaços onde se dão, manifestam, em sua profundidade, esta preocupação em torno do homem e dos homens, como seres no mundo e com o mundo. Em torno do que e de como estão sendo. 
Ao questionarem a “civilização do consumo”; ao denunciarem as “burocracias” de todos os matizes; ao exigirem a transformação das universidades, de que resultem, de um lado, o desaparecimento da rigidez nas relações professor-aluno;  de outro, a inserção delas na realidade; ao proporem a transformação da realidade mesma para que as universidades possam renovar-se; ao rechaçarem velhas ordens e instituições estabelecidas, buscando a afirmação dos homens como sujeitos de decisão, todos estes movimentos  refletem o sentido mais antropológico do que antropocêntrico de nossa época.”


Paulo Freire.  Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra Educação 17ª. Ed. 1987. p. 29

Escapei fedendo

Vi o espelho e tomei um bruto susto
A pressão então subiu subitamente
O motor sacolejou pra trás, pra frente
E estaquei paralisado feito um busto
Vi visagem, suei frio: tou ferrado
Até que  li o comunicado: Urgente
Foi engano, vai ser tudo consertado
Ufa! Escapei fedendo, minha gente


Escrito em 25.07.2008

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Carro oficial, não!

Isso, vão de ônibus pro trabalho! Por pouco que possa parecer, vale muito o gesto. Começa assim a moralização do serviço público. Quer andar de carro? Ande com o seu particular. Vamos acabar com essa estória de carro oficial chapa preta ou branca, helicóptero, o escambau aéreo, terrestre e aquático, pra cima e pra baixo com o dinheiro da viúva. Tudo sacanagem de político ou servidor mamador das tetas e do erário.

Mote:
Haddad quer obrigar secretários e assessores a irem para trabalho de ônibus. Informação é da coluna de Mônica Bergamo: http://folha.com/no1356038

domingo, 13 de outubro de 2013

Beto e os pés de jucá do Capitão Raimundo Inácio



Beto era um trabalhador da Fazenda Belmonte nos cafundós do Piauí. Beto gostava de cana. Não dos roletes de cana plantada na vazante do açude do Belmonte, cortados pra chupar na calçada alta, mas a cana destilada, das de queimar a goela em vez de adoçar. E ali, em outras eras, meu avô, Capitão Raimundo Inácio, fazia cachaça letrada Indiana, das do gosto do Beto. 

Um dia, foi bem depois do Capitão ter-se ido do mundo dos vivos, embora na Fazenda, dizem na redondeza, ele ainda tem presença assegurada pela patente de milícia popular. Não só meu avô, o povim conta, minha avó, Mocinha, mulher severa, também ali faz vigília. Pois bem, um dia Beto foi ordenado de limpar o cemitério caiado de branco, defronte pro lado direito da Fazenda, perto do açude construído com barro transportado em couro de boi e caçuá de jumento amolengado e pisado por retirante de seca. 

E Beto se empolgou com o trabalho da limpeza do cemitério de descanso dos  meus avós e dois tios. Talvez querendo agradar a ordenança, Beto cortou mais do que devia, descampando o cemitério. No inclusive, tinha uns pés de jucá plantados pelo meu avô desbastados até o toco. Findo o dia, Beto satisfeito toma mais uma e se encaminha pra casa grande. E vai se deitar logo à boca da noite, feito galinha no choco, que lá na Fazenda Belmonte não tem luz elétrica e o escuro desce cedo, quando não tem lua. E era uma noite sem lua. Beto já ouvira falar, pelo povim do lugarejo, que, de vez em quando, aparecia uns lampejos de lamparina e uns pisados de gente no andar de cima do casarão. Casa, construída em pedra larga e tábua de madeira fornida, que meu avô era homem de botar as coisas no mundo pra ficar de vera. 

Visagem, conversa de assombração? O Beto não dava bolas pra isso. Era coisa de gente que não tem o que fazer, inventavam até que na casa, tinha horas de tresandar um cheiro de café torrado  da Ibiapina. Conversa desse povo. Que nada! Deve de ser uns ratos passeando em riba das tábuas do piso. Ou um, ou outro morcego novato voando sem rumo, topando em parede, que a casa também tem sótão escuro depois do terceiro piso onde eles se dependuram de cabeça pra baixo. Eita mundaréu de casa! Beto só não arrumava explicação pro bruxuleado da lamparina, e pro cheiro do café, de que ele gostava de gosto verdadeiro. E apostava até, num rompante de coragem, se sentisse o cheiro, iria atrás de beber um gole viesse de onde viesse, com todo respeito do Capitão e dona Mocinha. 

E se deu que Beto foi pro descanso na rede armada no pé da escada de acesso ao andar de cima. Explico que quando meus avós eram vivos, só subia gente ali se fosse autorizada pra barrer o chão. Ninguém era besta de desagravar meu avô. Subisse, e o chiqueirador trançado de couro cru do Capitão comia de esmola no lombo do atrevido. 

E deitou-se na rede nosso Beto todo entoldado de cana, de cabo a rabo, e enfadado com a labuta do dia. Não teve ânimo nem de tomar um banho na porteira do açude próximo. Beto deu foi uma última bicada na aguardente, cuspiu do lado num urinó de alumínio, feito o Capitão fazia certeiro mascando fumo. E foi-se pro sono merecido no casarão. Sozinho o corajoso Beto mais a casa grande, que só carecia de dizer: tenha um sono merecido, Beto. 

Embalou no sono. Deve de ter roncado muito e quem sabe até tenha acordado foi com os roncos dele mesmo, sei lá o que se passou. Mas o Beto diz que acordou com uns passos fortes de piso rangendo no teto do quarto, e um fulgor de lamparina acesa com luz travessante nas frestas da madeira do teto. Beto levantou o lençol pra cobrir o rosto, não por medo, mas por precaução, e ficou espiando a visagem. Passou-se um tempo que pareceu cem anos, segundo Beto, desde quando ouviu umas batidas leves de caneca de alumínio lá em riba e um cheiro gostoso... não, gosto não sentiu, não... de café. Beto paralisado estava, parado ficou. Mais pior é que os passos começaram a descer na escada... tummm... tummm.... tummm. 

E o relógio de pêndulo da sala, bem de  longe, coincidência dessas coisas que acontecem, bateu também as horas. Nem deu tempo de contar as batidas, sei lá que horas eram. E a coruja, residente no sótão do casarão, piou. E os passos foram chegando. Beto fez que dormia. E bateram no punho da rede uma vez, duas vezes, assim como quem queria mesmo que Beto se acordasse. Que nada, Beto nem se mexia, nem se mexia... Mas, já no desespero, sentiu umas mãos grossas apertarem forte seu pescoço, estrangulando o apavorado Beto. 

"Pro que tu foi derrubar os meus pés de Jucá, Seu Patife?" 

Só deu tempo de ouvir uma vez a voz do Capitão. Beto, num átimo, pulou da rede com seiscentos diabos, saltou a janela, caiu escambichado da calçada alta, levantou-se feito o cão, resfolegou e saiu correndo havia mais de 7 km durante a noite escura até chegar no Alto Alegre donde nunca mais saiu, pelo menos na mira do Belmonte. E eu ouvi essa estória contada foi do Beto.

george.coelho@bol.com.br




sábado, 12 de outubro de 2013

Épura já

             A gente o chamava de Padre Heitor. Nem sei qual a razão do apelido, se era por celebrar missa, ou talvez o jeito epistolar de dar aula. O fato é que Padre Heitor ensinava Geometria Descritiva na Escola de Engenharia da terrinha, pelas eras de 70. O mestre impunha respeito e medo: conhecia bem a matéria, e reprovava pra caramba.
            A gente o chamava de Gato. Gato era um colega bacana, mas muito pouco estudioso. Compensava as falhas com os olhos azuis e espertos. De pulo em pulo, como um ágil felino, Gato escapulia das reprovações.
            Porém numa matéria o Gato ainda não acertara o salto: Geometria Descritiva. Louve-se menos o defeito do pulo e mais a vigília do Padre. Sim, Padre Heitor não deixava à vontade os rápidos olhos azuis, muito menos as mãos ágeis do Gato, passearem soltos na sala. Resultado: reprovou-o duas vezes.
            Chegou na terceira tentativa. Novamente Gato de um lado, Padre Heitor do outro. Prognóstico pouco favorável pro primeiro. Mas, como não há mal que sempre dure e nem bebida que nunca acabe, o Gato não desistia. De tal maneira que pra prova de Recuperação da Recuperação (Ré-Ré), o Gato quis confirmar o provérbio. Cumpriu a segunda parte do ditado: tomou todas na noite alencarina. E chegou ainda cambando pra fechar a primeira. Deu sorte, tinha notícia boa demais na sala. Padre Heitor estava doente. O Eixim faria a prova.
             É pra já! Professor Eixim foi mesmo um colírio pros olhos do Gato. Prova muito da bem feita a dele. É claro, Gato contou com umas poucas ajudas que ninguém não é nenhum Principe Junior, pra traçar tanto risco infeliz, ainda mais em épura de plano inclinado. O certo é que o Gato saiu pro abraço. E foi comemorar o resultado muito do certo que sairia no outro dia. Vá lá, Gato! A vida é curta!
            Dia seguinte, Gato se espreguiçou e partiu pro Campus do Pici, só pra conferir o resultado da boa prova que fizera. E foi boa mesma, o Eixim até se surpreendeu: Gato tu passou mesmo? Gatou pulou e correu, correu e pulou. E foi tanta alegria que contagiou um monte de gente. Um burburim só, muita zoada, e pouco tino. 
            E ninguém viu um vulto de longe se aproximar: Quéquetáhavendo? Assomou gigante a sadia figura do Padre Heitor. É que... É que, Fessor Heitor, O Gato passou na sua disciplina, entregou uma alma infeliz. O quê? É verdade Gato? Sabe Professor: morri de estudar. Foi mesmo Gato? Foi, Fessor Heitor. Tá certo, Gato, tu já passou com o Eixim, agora vai ter de passar comigo. Épura já. E o Padre saiu puxando no braço o Gato pra nova arguição. E tome cobrar épura pros miolos ainda alcoolizados do Gato.

George Alberto de Aguiar Coelho
Escrito em 27.06.2008

Príncipe Júnior – autor de livro de Geometria Descritiva
Épura -  técnica de representação geométrica bidimensional para formas tridimensionais..



Feriados e Distribuição de Renda

O link da fonte (Estadão) diz que "O Brasil é o 4.º país com mais dias de folgas. Em 1.º lugar está a Rússia." 

Interessante é que a mesma Rússia é o país que tem o maior índice de desigualdade de renda do mundo: "35% da riqueza das famílias na Rússia pertence a apenas 110 pessoas..."
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/110-pessoas-detem-35-da-riqueza-da-russia/ 

E o Brasil tem a segunda pior distribuição de renda em ranking da OCDE , conforme:
 http://oglobo.globo.com/economia/brasil-tem-segunda-pior-distribuicao-de-renda-em-ranking-da-ocde-7887116 .

Então se é assim, tá explicado e entendido. Pra que ser besta de ficar se matando pra trabalhar se a renda vai pra encher o traseiro de uns poucos donos da bufunfa?

E que sejam bem vindos mais feriados, que os que estão ai ainda são poucos, gente boa! E que a máxima de Nelson Rodrigues seja cada dia mais verdadeira: "O Brasil é um feriado."

George Alberto de Aguiar Coelho

Fonte:

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Morena bela: disputa entre Simorion e Vitorino

O poeta e radialista da Prata-Pb, Simorion Matos, bebia e cantava num bar com o poeta Joaquim Vitorino. Entra então uma morena arretada de bonita. Simorion se empolga e larga uns versos:

Se essa morena bela
Um dia me desse um sim
O que pertencesse a mim
Eu dividia com ela
Minha D20 amarela
Meu alazão corredor
O armazém, o trator
O engenho com as moendas
Eu dava até a fazenda
Em troca do seu amor

Mais modesto, Joaquim Vitorino arresponde:

Não posso lhe oferecer
Casa bonita, nem carro
Tem só um prato de barro
Pra nele a gente comer
Um pote pra nós beber
Água saloba e ruim
Por diversão, um saguim
Pendurado na janela
Quem sou eu, morena bela,
Pra você gostar de mim?

George Alberto de Aguiar Coelho

Fonte:
Normando Vasconcelos. Cantiga de viola. 
Arte*Digital&Século OM - Maceió-Al, 1996, p. 287.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Obamacare versus Bolsa-Família

Esses republicanos perderam o juízo. Pressionar contra o Obamacare, programa de universalização da saúde americano, é igual a ir contra o bolsa-família no Brasil. Mesquinharia que vai custar caro. A expressiva ascensão, embora precária, da classe, antes indigente, no Brasil, é similar à obtenção dos direitos básicos à saúde, não disponíveis nos USA aos mais pobres e imigrantes. Quem é contra essas coisas se ferra em votação, e é bem feito que seja mesmo assim.

Mote:
Washington Post a partagé un lien.

Uma ideia pros peões.

No Nordeste, cavalo e jumento dão hoje lugar pras motos. Já nos USA...
Uma sugestão pros peões de vaquejadas e touros: façam uma "vaquinha" e comprem um desses cavalos, que também podem passar por vacas ou touros. Ficariam livres das acusações, por exemplo, as de que os touros de verdade só dão os pulos que dão, porque lhes amarram e apertam os testículos. Outra vantagem é a velocidade do elemento e a altura do salto poderem ser calibradas conforme a vontade e a disposição do freguês montador.

Mote:
VIDÉO - Ce robot conçu par l'agence de défense des États-Unis galope comme un cheval, jusqu'à 26 km/h... Impressionnant ou effrayant ? http://bit.ly/17fy8bk

O homem muda o clima?


O clima estaria mudando pela ação do homem, isso é o que pensa a quase unanimidade dos cientistas (+ de 90%). Mas há os céticos desta teoria. Richard Lindzen do MIT é um dos críticos mais respeitados. Neste caso de mudança climática, na minha ignorância, acompanho a maioria (parece voto de Juiz), mas também tenho dúvidas. Contudo, quanto à perda de biodiversidade provocada pelo homem, tão ou mais grave do que a mudança climática, tenho certeza. O homem, de fato, está eliminando rapidamente a variedade da vida na terra. É só olhar, por exemplo, o que a Monsanto faz com a variedade de sojas que estão sendo substituídas pela soja transgênica, resistente a veneno fabricado pela própria empresa. E os tatus, pebas, papagaios, jacus, onças, mambiras, cachorros-do-mato, nambus e muitos outras plantas e bichos das caatingas do Ceará e Piauí? Quem duvida que estão minguando perigosamente? 

domingo, 6 de outubro de 2013

Olá! Vai morto ou vivo? - Quintino Cunha

Nos sertões do Nordeste, a rede atravessada nos dois punhos por um pau, tendo em cada extremidade deste um sujeito que a carregava, servia de transporte pra tudo. Hora era o senhor que fazia grandes travessias ali deitado; outra, uma senhora nos trinques; ou um doente aventurando cura em local menos inóspito; às vezes, um morto; outras, um bêbado etc. Quintino Cunha,  dotado de uma verve extraordinária  pro humor, já aos oito anos, presenciou um desses carregos. “E foi num cromo que registrou a cena que viu na estrada:” 

Por um rancho aonde está
Reunida muita gente,
Passa uma rede...  e se sente
Que coisa de novo há.

Um molecote de lá
Do rancho, tomando a frente,
Pergunta curiosamente,
Aos carregantes:  - “Olá!...

Vai morto ou vivo?” -  E o doente,
Que vinha, pela aguardente,
Toldado de cabo a rabo,

Ergue o lençol que o esconde,
Bota a cabeça e responde:
- Vai é bebo com o diabo!...


Quintino Cunha (Itapajé24/07/1875 - Fortaleza1/06/1943) advogado, escritor e poeta. 


Fonte:
Renato Sóldon. Verve Cearense. Edição do autor. 1969. Pgs. 24 e 25.